|
Uma das maiores preocupações dos homens após
completarem 40 anos, é em relação à
saúde de suas próstatas. E hoje em dia, graças
às campanhas educativas, é cada vez maior a visita
anual dos pacientes ao seu médico, vencido o medo e o complexo
quanto a esta consulta, verdadeiro tabu, pela possibilidade de
terem que se submeter ao toque retal.
É
educativo e dever nosso, como especialistas em Urologia, divulgar
conceitos e orientações que procuram, em palavras
claras e de fácil compreensão, ajudar a pessoas
leigas entenderem melhor as doenças mais freqüentes
que acometem esta glândula.
A próstata localiza-se logo abaixo da bexiga, em intimo
contato com esta, composta por uma cápsula externa e internamente,
composta de 3 lobos, que circundam a uretra, canal que conduz
a urina ou o sêmen. Superiormente tem um esfíncter
muscular que ao contrair-se, fecha o colo vesical, controlando
a passagem da urina; e inferiormente, outro esfíncter,
com função de abrir-se para a passagem dos produtos
eliminados pelos ductos ejaculadores mais o líquido prostático,
ou a urina.
Na fase da adolescência, ou no adulto jovem sexualmente ativo,
pode ser atingida por bactérias e parasitas sexualmente
transmitidas, levando a um quadro de prostatite aguda, que se
não tratada corretamente pode evoluir para a prostatite
crônica. O primeiro caracteriza-se por secreção
uretral purulenta, ardência ao urinar, febre, dor irradiada
na região do púbis, ou perineal. A segunda, é
um quadro não muito típico, mas que consiste em
desconforto na região púbica, ardência uretral
constante, saída de secreção uretral intermitente,
dor à ejaculação, esperma amarelado, presença
de sangue no esperma,sintomas estes de longa duração.
Ambas são tratadas com uso de antibióticos, especialmente
aqueles que penetram no tecido prostático, propriedades
de apenas alguns antibióticos,variando o tempo de tratamento
de acordo com cada caso, de uma semana a 3 meses.
Após os 40 anos de idade, a próstata, começa a apresentar
um crescimento progressivo e normal, mediado por fatores genéticos
hereditários, fatores teciduais de crescimento, hormônios,
podendo ter componentes mais desenvolvidos que outros, sendo ou
mais glandulares ou mais musculares estromatosos.
Este crescimento leva a um progressivo estreitamento e afunilamento
da uretra em sua porção prostática, o que
com o tempo, vai requerer da bexiga, um maior esforço muscular
para esvaziar totalmente a cavidade vesical. Os músculos
vesicais,vão compensando este esforço hipertrofiando-se,
até que este equilíbrio de forças entre em
descompasso, e com isto, surgem sintomas primeiramente irritativos
da musculatura vesical, e logo após, disfunções,
caracterizados por sintomas clássicos, como o aumento do
número das micções durante o dia e principalmente
à noite, um jato miccional fraco e fino, uma sensação
de micção incompleta, urgência e incontinência
urinária, podendo estes sintomas serem agravados, por uma
coexistência de infecções urinárias,
ou até mesmo uma retenção aguda da urina.
A possibilidade de degeneração cancerosa desta glândula,
é bem conhecida, e pode ocorrer em algum ponto da próstata,
mais freqüentemente em sua porção mais externa
e posterior. Ou seja, as duas doenças podem ocorrer simultaneamente,
e o acompanhamento anual é a principal arma que temos para
detectar precocemente o aparecimento desta neoplasia, sendo que
pacientes cujo histórico familiar tem casos de adenocarcinoma
da próstata, submetem-se aos controles em regime mais intensivo,
já que é bem documentada a herança genética
desta doença.
Os sintomas do câncer prostático não diferem
muito daqueles presentes na hiperplasia prostática benigna,
podendo entretanto apresentar quadros irritativos urinários
mais intensos, presença de sangue na urina ou no ejaculado,
mas nas duas, os sintomas obstrutivos são similares, como
vistos durante exames endoscópicos, em que através
de aparelhos com fibras óticas, podemos examinar, documentar
e avaliar o grau de estreitamento e comprometimento da uretra
prostática.
Evidentemente que na presença de um câncer, medidas mais agressivas
são tomadas, e desde que a doença esteja localizada
na glândula, podemos optar pela retirada radical e total
da próstata, ou a inserção de fios ou sementes
radioativas, optando então pela Braquiterapia da próstata.
Nos casos mais avançados, com a presença de envolvimento
local ou metástases à distância, a opção
mais apropriada é o tratamento com uso de medicamentos
que bloqueiem a ação dos hormônios masculinos,
ou que façam a supressão dos mesmos, com isto induzindo
a uma regressão tumoral.
Nos casos de crescimento benigno, onde exista obstrução
do fluxo urinário, existem uma grande variedade de medicamentos
que podem reduzir o tamanho da próstata, ou alargar por
relaxamento a uretra em sua porção prostática.
Numa fase mais adiantada ou em casos que responderam mal ao uso destes
medicamentos, a cirurgia para a retirada da parte interna da glândula
estará indicada, levando em consideração
o tamanho dela, outros comemorativos associados, idade do paciente,etc...,
sendo que em casos de próstatas muito grandes,
|
Próstata hipertrofiada e carcinoma
100 gramas ou mais, indica-se a retirada por via alta, ou
seja, através de uma incisão pela bexiga,
procedendo-se da mesma forma como retiramos uma tangerina
de sua casca, através de uma abertura em sua parte
superior, e refazendo a integridade da anatomia local.
Em casos de crescimento pequeno a moderado, mas com um componente
obstrutivo importante, opta-se pela raspagem da próstata
por via endoscópica intra-uretral, onde com a utilização
de instrumentos apropriados, é possível
retirarmos em pequenas lascas a próstata, com isto
não sendo necessário incisões abdominais,
e favorecendo um período pos-operatório
mais simples, indololor, e um retorno mais rápido
do paciente às suas atividades.
Instrumentos para cirurgia endoscópica da próstata
Instrumentos para endoscopia intra-uretral
A ultima conquista tecnológica é a possibilidade
de realizarmos esta raspagem intra-uretral da próstata,
com o uso de fibras de quartzo, condutoras de energia gerada
por Holmium Laser. A energia liberada na ponta destas fibras,
utilizando-se 100 Watts de potencia, leva a desintegração
protéica celular, desidratação com
ebulição tissular, acarretando simultaneamente
um efeito de coagulação de vasos sanguíneos,
fazendo com que possamos obter uma ampla loja prostática
e praticamente sem perda de sangue, ideal em pacientes com
risco alto cirúrgico, hemofílicos, ou pacientes
em uso de anti-coagulantes.Com o uso desta fonte de energia,
temos como resultado um leito não sangrante e bem
regular, abrevia-se o tempo de uso de sondas vesicais de
5 dias para apenas 1 dia, permitindo a alta hospitalar já
no dia seguinte da cirurgia.
Visão Endoscópicada Enucleação da Próstata à laser
Vídeo
Prostatectomia Intra-uretral a laser
|